domingo, 29 de junho de 2014

Subindo...


Eu sempre tive a sensação de que algo bom estava pra acontecer. O vento balançava meus cabelos na rua escura enquanto eu sorria ao pensar "Algo acontecerá em breve!". Era só mais uma noite boemia....A mesmice me torrava os miolos crus, mas o pensamento insistia em sussurrar-me as escondidas: "Algo acontecerá em breve!". Né que aconteceu?! Enquanto eu esperava o elevador para descansar após ter dançado tudo aquilo que não sei dançar, a garota apertou o botão do mesmo. "Já apertei!" Sorri ao comunicar. O elevador chegou vazio. Cena óbvia pra uma madrugada fria! Ela também havia bebido um pouco. Seus olhos não mentiam. Era o sorriso mais bonito que cruzara meu caminho, eu diria. Fitava-me calada diante do enorme espelho que refletiam nossos corpos cansados. Era três da manhã. Sua saia era longa, seus cílios também, a blusa decotada. Cabelos castanhos meramente ondulados até o quadril. Apertou o oitavo andar. Droga, eu pararia  no sétimo! No terceiro andar a porta abriu e eu quase saí, mas voltei a tempo de perceber que era uma parada desnecessária. Alguém que apertou e desistiu... Alguém que apertou os dois elevadores e o outro chegou mais rápido...Tanto faz... Rimos na minha volta desengonçada. Que olhar faminto me engolia! Que sede eu sentia daqueles lábios carnudos! Seriam macios? Minha boca salivava por um beijo. Sexto andar se aproximava e eu pensava em uma despedida categórica. Sétimo andar, porta aberta, eu não queria me despedir. "Saia do elevador comigo...." Pedi educadamente. Os olhos eram curiosos, o respirar passou a ficar ofegante, mas ela na defensiva sussurrou ao levantar uma sobrancelha e esticar os lábios"Eu nem a conheço..." Eu também não sabia muita coisa sobre ela, minto! Eu não sabia nada sobre ela...Tampouco o seu nome. Sei que iria descer no andar seguinte. "Saia comigo..." Repeti. Eu não tinha muita coisa a oferecer. Eu só queria senti-la perto. Eu queria que ela me acariciasse na sacada, aliás a noite estava estrelada e nós estávamos a sós. Eu queria que ela me contasse algum segredo nunca revelado. Queria poder deslizar minha língua onde a fizesse gemer meu nome. Que ela herdasse meu sobrenome. Entrou no apartamento quieta, mas ainda sorrindo. A abracei forte, respirei alguns segundos com as narinas grudadas no seu pescoço. Que cheiro agradável. Que moça formidável! Peguei um cobertor e três travesseiros. Joguei tudo na sacada, ela arrumou. Deitamos abraçadas. Encaixou. As três marias no céu olhavam pra nós e refletiam nossos olhos. Sério! Os lábios eram sim, macios. O tato dava choque. Arrepios. Afagos. Transamos. Dormimos. Já se passou um dia após o ocorrido e eu fico implorando em pensamentos para que ela desça um simples andar para que meu coração suba mil passos.

PS: Necessito de um marca-passo.

4 comentários:

  1. Que aventura encantadora. Ficamos imaginando cada momento dessa estória de amor. Meu beijo.

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  2. Fico com vontade de mandar um "vai se ferrar, Letícia"! Pqp! Que texto! Você tem o dom das palavras, nunca vi isso. :))

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  3. Menina, e essa coisa de ir lendo e montando um curta metragem na cabeça com as cenas? rs
    Você é cruamente avassaladora, Letícia.

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